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Envelhecer no Brasil: a ironia de uma nação que venera a juventude enquanto envelhece coletivamente

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Ah, o Brasil, terra de contrastes onde o samba nunca envelhece, mas os trabalhadores sim – e ai deles se ousarem continuar produtivos depois dos 50. De acordo com dados recentes do IBGE, a população brasileira está envelhecendo a passos largos, com projeções indicando que, até 2060, um quarto dos habitantes terá mais de 65 anos. É uma transformação demográfica que deveria ser celebrada como vitória da longevidade, mas, em vez disso, expõe o etarismo como uma barreira intransponível no mercado de trabalho. Empresas, em sua infinita sabedoria, preferem ignorar currículos recheados de experiência para apostar em jovens “dinâmicos”, como se a idade fosse sinônimo de obsolescência programada. No fundo, é hilário: enquanto a nação reclama da falta de mão de obra qualificada, discrimina justamente aqueles que acumularam décadas de conhecimento prático. Especialistas como a gerontóloga Maria do Carmo, citada em relatórios sobre o tema, alertam que esse preconceito não só desperdiça talento, mas acelera a desigualdade social, deixando idosos à mercê de aposentadorias minguadas e empregos precários.

Mas vamos rir um pouco mais dessa ironia social: imagine um país onde o envelhecimento populacional é fato consumado, impulsionado por quedas na taxa de natalidade e avanços na saúde, e ainda assim o etarismo reina supremo nas contratações. Estudos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) revelam que trabalhadores acima dos 45 anos enfrentam desemprego crônico no Brasil, com taxas que superam as de faixas etárias mais jovens. É como se o mercado dissesse: “Obrigado pela contribuição vitalícia, agora suma e dê espaço para os novatos que ainda não sabem o que é uma crise econômica de verdade”. O etarismo não se limita a piadinhas de escritório; ele se manifesta em políticas corporativas que priorizam “energia juvenil” sobre expertise comprovada, resultando em uma força de trabalho desequilibrada e ineficiente. E o governo? Bem, iniciativas como o Estatuto do Idoso até existem, mas na prática, servem mais como enfeite burocrático do que como ferramenta real de inclusão. Enquanto isso, a economia patina, ignorando o potencial de milhões de “velhos” que poderiam impulsionar inovações baseadas em vivência real, não em teorias de rede social.

Por fim, não deixa de ser cômico pensar que, em um futuro não tão distante, esses mesmos jovens que hoje monopolizam as vagas estarão do outro lado da moeda, vítimas do etarismo que ajudaram a perpetuar. O envelhecimento da população brasileira não é apenas uma estatística; é um chamado irônico para rever conceitos arcaicos de produtividade. Se as empresas continuarem a tratar a idade como defeito de fabricação, o país corre o risco de uma crise de talentos autoimposta, onde a sabedoria é trocada por superficialidade. Talvez seja hora de o Brasil acordar para a realidade: envelhecer não é o problema, mas sim a miopia coletiva que transforma anos de vida em obstáculo. Quem diria que a longevidade, outrora sonho, viraria piada de mau gosto no mundo corporativo?

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