O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), enfrenta um dos períodos mais turbulentos desde que assumiu o cargo em fevereiro. Monitoramentos digitais revelam que 72,8% das menções a ele nas redes sociais foram negativas, conforme pesquisa da agência Ativaweb realizada em 9 e 10 de dezembro. O foco das críticas recai sobre a sessão de votação do Projeto de Lei da Dosimetria, marcada por tumultos, uso de força policial contra o deputado Glauber Braga (PSol-RJ), retirada de jornalistas do plenário e interrupção do sinal da TV Câmara. Esses episódios extrapolaram o âmbito institucional, gerando reações de governistas e oposicionistas, que classificam a condução como autoritária. Além disso, polêmicas anteriores, como a PEC da Blindagem e ações judiciais contra outdoors críticos em João Pessoa, contribuem para o desgaste, ampliando a percepção de que Motta prioriza interesses de grupos parlamentares em detrimento de acordos amplos.
A desconfiança se aprofunda com o Palácio do Planalto, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou dúvidas sobre a experiência de Motta antes da eleição, apesar do amplo apoio que o elegeu com 444 votos. Conflitos como a pauta do Projeto de Decreto Legislativo para sustar o aumento do IOF e a escolha de relatores controversos, como Guilherme Derrite para o PL Antifacção, romperam diálogos com o PT, culminando em acusações mútuas de imaturidade e sabotagem. Cientistas políticos, como Leonardo Paz Neves da FGV e Pedro Hermílio Villa Boas Castelo Branco do Iesp-Uerj, apontam fragilidades na liderança de Motta, que tenta equilibrar alianças entre esquerda e direita, mas acaba insatisfazendo ambos os lados, prejudicando a credibilidade do Parlamento.
O cenário se complica com protestos previstos para hoje em várias cidades, como Rio de Janeiro e São Paulo, convocados por entidades como PT, Brasil Popular e Povo Sem Medo, com apoio de artistas e influenciadores. As manifestações criticam o PL da Dosimetria como um retrocesso ou golpe jurídico, potencialmente beneficiando condenados por tentativas de golpe após as eleições de 2022. No Senado, o texto será relatado por Esperidião Amin (PP-SC), enquanto o governo busca rejeitá-lo na CCJ ou vetá-lo integralmente, refletindo tensões que afetam o equilíbrio institucional e mobilizam a sociedade em atos que ecoam demandas por um Congresso mais alinhado ao povo.