O direitista José Antonio Kast foi eleito presidente do Chile após uma vitória expressiva sobre a candidata comunista Jeannette Jara, que reconheceu a derrota e desejou sucesso ao novo líder via Twitter. Kast, um advogado católico de 59 anos nascido em Paine, na região metropolitana de Santiago, é o caçula de dez filhos de imigrantes alemães que chegaram ao país após a Segunda Guerra Mundial. Sua ascensão política foi surpreendente, pois amigos como Rodrigo Pérez Stiepovic, que o conheceu na faculdade de Direito em 1984, não imaginavam que ele se candidataria à presidência. Após tentativas frustradas em 2017 e 2021 – quando perdeu para Gabriel Boric no segundo turno –, Kast obteve maioria no pleito atual com apoio de candidatos derrotados como Johannes Kaiser e Evelyn Matthei. Sua plataforma evoca comparações com líderes como Donald Trump, Javier Milei e Nayib Bukele, e ele fundou o Partido Republicano após se distanciar da União Democrática Independente (UDI).
Controvérsias marcam sua trajetória, incluindo a defesa do regime de Augusto Pinochet, período em que seu irmão Miguel Kast ocupou cargos importantes. Kast nega aceitar violações de direitos humanos, mas valoriza avanços da época, segundo Pérez. Investigicações jornalísticas apontam que seu pai, Michael Kast, foi membro do partido nazista em 1942, embora o presidente eleito afirme que a família está distante do nazismo. Casado com María Pía Adriasola e pai de nove filhos, Kast rejeita o rótulo de extrema-direita e mantém convicções conservadoras, como oposição ao aborto e defesa da vida desde a concepção. Sua carreira começou na Universidade Católica, ligado ao Movimento Guild de Jaime Guzmán, redator da Constituição de 1980.
Para o cotidiano das cidades chilenas, Kast propõe um ‘governo de emergência’ focado em segurança pública e migração, temas que lideram as preocupações dos eleitores. Ele planeja cercas ou valas nas fronteiras com Bolívia e Peru, inspirado em Trump, e admira a ‘mão de ferro’ de Bukele, tendo visitado a megaprisão em El Salvador. Economicamente, sugere cortes de US$ 6 bilhões em 18 meses para combater a ‘casta política’, ecoando Milei. Analistas como Robert Funk, da Universidade do Chile, veem nele uma direita nacionalista populista, alinhada a modelos globais, mas sem questionar o sistema eleitoral chileno, ao contrário de Trump ou Jair Bolsonaro, com quem trocou afagos.