Início Política Senado enfrenta dilema com projeto que pode abrandar penas além dos atos de 8 de janeiro
Política

Senado enfrenta dilema com projeto que pode abrandar penas além dos atos de 8 de janeiro

67

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), manteve para esta quarta-feira a análise do Projeto de Lei (PL) da Dosimetria no plenário, apesar das pressões para adiamento. Aprovado pela Câmara dos Deputados, o texto ainda precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde enfrenta forte resistência e possibilidade de pedido de vista, o que poderia postergar a discussão para 2026. Senadores de diversos partidos expressam desconforto com a proposta, vista como politicamente sensível por potencialmente beneficiar condenados por crimes que vão além dos atos golpistas de 8 de janeiro, incluindo corrupção e exploração sexual. O relator no Senado, Esperidião Amin (PP-SC), afirmou que o texto, da forma atual, não tem apoio suficiente para aprovação na CCJ, ecoando declarações do presidente da comissão, Otto Alencar (PSD-BA). Amin destacou alternativas: um grande acordo para salvar o PL, modificações para eliminar brechas que favorecem corruptos e criminosos, ou a substituição por um novo projeto no Senado, possivelmente focado em dosimetria ou anistia.

O PL altera regras de progressão de regime, permitindo que condenados com bom comportamento avancem do fechado para semiaberto ou aberto após cumprir um sexto da pena, em vez de um quarto, e elimina a soma de penas para crimes contra o Estado Democrático de Direito, o que poderia reduzir significativamente o tempo de prisão de figuras como o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos. No entanto, o governo Lula avalia que a proposta beneficia crimes graves como os contra a administração pública, saúde pública e fé pública, além de violações sexuais não hediondas. Amin está em conversas com o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator do PL Antifacção, para corrigir incompatibilidades entre os textos. Senadores como Omar Aziz (PSD-AM) defendem uma análise técnica, rejeitando leis para indivíduos específicos. Apesar das críticas, apoiadores como a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) confiam na aprovação, citando apoio do Centrão, embora haja temores sobre sanção presidencial.

Manifestações contra o PL ocorreram no fim de semana em diversas capitais, organizadas por frentes como Povo Sem Medo e Brasil Popular, com participação de movimentos como MST e MTST. Sob o lema “Congresso Inimigo do Povo”, os protestos criticaram a tentativa de reduzir penas para envolvidos em atos antidemocráticos e pressionaram o Senado a barrar a proposta.

Conteúdo relacionado

GDF lança Reserva do Parque com 7 mil apartamentos e R$ 1 bi de investimento

GDF lança o Reserva do Parque com 7.020 apartamentos e R$ 1...

Atrasos na CLDF expõem vulnerabilidades na lei contra supremacismo no DF

Atrasos na CLDF expõem falhas na lei contra supremacismo no DF, apesar...

Polícia legislativa da CLDF ignora crise de segurança ao priorizar olimpíadas no DF

Descubra como policiais legislativos da CLDF priorizam Olimpíadas da Segurança Pública no...

Debates na CLDF expõem falhas crônicas na agricultura urbana do Distrito Federal

Descubra como debates na CLDF expõem falhas crônicas na agricultura urbana do...