A Feira do Troca, um evento tradicional que celebra a cultura popular do Cerrado brasileiro, retorna para sua 101ª edição no distrito de Olhos d’Água, em Alexânia (GO), a cerca de 100 km de Brasília. Iniciada na última sexta-feira (5/12) na Praça Santo Antônio, a feira prossegue até o próximo domingo (7/12), promovendo o espírito de trocas solidárias conhecido como “gambira”, onde participantes trocam roupas, objetos e itens por artesanato e produtos locais. Realizada há 51 anos, a feira se consolidou como patrimônio cultural da região, reunindo solidariedade, diversidade e manifestações artísticas. O produtor Pedro Xavier destacou que o evento modernizou-se sem perder sua essência, permitindo tanto trocas entre artesãos e feirantes quanto compras diretas pelo público. Ele enfatizou o crescimento anual, com ampliação da estrutura para apoiar artesãos locais, atrair participantes regionais e impulsionar o turismo, movimentando o comércio da área.
O público pode desfrutar de exposições de artesanato, antiguidades, gastronomia e produtos da agricultura familiar, além de um cronograma variado de apresentações musicais, dança, teatro e contação de histórias. Na sexta-feira, a abertura contou com DJ Braz, Break Bone e a banda Mr. Gyn como atração principal. No sábado, as atividades começam às 15h com Bloquinhos do Zoim, seguidas de uma missa às 19h, e prosseguem com Marcus & Ramalho às 20h30, Geraldo Azevedo às 22h30 – em sua primeira apresentação na feira – e Kozmic Blues no encerramento. No domingo, o destaque é o Sarau Cultural, com palco aberto para artistas voluntários, uma novidade na programação oficial do evento.
Idealizada em 1974 pela professora mineira Laís Aderne, falecida em 2007, a feira mantém viva sua memória através da gambira e dos saberes ancestrais. Nesta edição, há um espaço especial para homenagear o poeta Rodrigo de Maria, a carnavalesca Silene Farias e a artesã Dona Waldira, figuras fundamentais para a cultura local. O vice-prefeito Naldim Magalhães afirmou que o evento representa a alma da população de Olhos d’Água, com mais de 50 anos de história transmitida entre gerações, fortalecendo o artesanato, a economia local e a tradição cultural. Manter essa herança, segundo ele, é uma forma de honrar os fundadores e garantir sua continuidade para as novas gerações.