A cabelereira Lorrany Stephane Ribeiro de Oliveira, de 27 anos, viveu um dia de horror ao deixar sua filha Laura Rebeca Ribeiro dos Santos, de 1 ano e 4 meses, em uma creche irregular em Ceilândia. Sem opções familiares disponíveis, ela confiou na indicação de uma cuidadora, pagando R$ 50 pelo serviço, e recebeu promessas de câmeras de segurança e cuidados adequados. No entanto, por volta das 13h, alertas sobre brigas entre crianças aumentaram sua preocupação, e a cuidadora garantiu que tudo estava sob controle. Horas depois, Lorrany foi informada de um acidente e, ao chegar, encontrou equipes do Samu tentando reanimar a bebê, que morreu por asfixia causada pelo cinto de um bebê-conforto, conforme laudo preliminar. A mãe relatou versões inconsistentes da cuidadora, incluindo que a criança foi colocada em um equipamento que não era dela e que a responsável saiu, deixando as crianças com o marido.
A investigação da 24ª Delegacia de Polícia aponta para homicídio culposo, com a creche funcionando sem autorização e abrigando nove crianças no momento. Peritos coletaram imagens de câmeras e evidências no local, enquanto o marido da cuidadora será ouvido em breve. O advogado criminalista Guilherme Gama destaca que a irregularidade agrava a responsabilidade penal e civil, podendo resultar em indenizações por falha no dever de cuidado. Laura estava na fila para uma vaga pública desde março, ocupando a 38ª posição em uma lista de 90 na região, em meio a um déficit de 4,5 mil vagas no DF. A Secretaria de Educação reforça que creches domiciliares não têm previsão legal e identificou 40 instituições irregulares em 2025, com ações em curso pelo DF Legal.
O presidente do Conselho de Educação do DF, Álvaro Moreira Domingues Júnior, explica que creches legais precisam de CNPJ, licenças e projeto pedagógico, com autorizações publicadas no Diário Oficial. O sepultamento de Laura ocorreu hoje no Cemitério Campo da Esperança, em Taguatinga, deixando a mãe em luto e questionando a confiança depositada. A pasta atende cerca de 10,9 mil crianças, mas o caso evidencia a urgência por mais vagas regulares.