Pedro Alexandre Silva Lobo Boff, de 25 anos, começou a ser julgado nesta terça-feira (16) pelo Tribunal do Júri na Vara Criminal do Núcleo Bandeirante, no Distrito Federal, acusado do homicídio duplamente qualificado de Rubens Bonfim Leal. O crime ocorreu em maio de 2018, quando a vítima, um revisor de jornal de 35 anos, foi encontrada morta no Paradise Vegas Motel, no Setor de Motéis do Núcleo Bandeirante. Rubens chegou ao local por volta das 7h30 dirigindo um VW Gol, acompanhado de Pedro, então com 19 anos. Segundo relatos de funcionários, Pedro tentou deixar o motel com o carro da vítima, alegando que iria à farmácia comprar remédios, mas foi impedido porque a conta não havia sido paga. Ao ligarem para a suíte e não obterem resposta, os funcionários alertaram a polícia. O corpo de Rubens foi descoberto na entrada do banheiro, nu, de bruços, com mãos e pernas amarradas por lençóis, marcas de golpes de arma branca e sangue ao redor. A polícia acredita que Pedro fugiu pulando o muro do motel após subir em uma VW Kombi estacionada.
A prisão de Pedro ocorreu apenas em março de 2025, sete anos após o crime, na Cidade Estrutural, onde ele morava. Identificado pela Coordenação de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil do Distrito Federal, o suspeito não tinha passagens anteriores pela polícia, exceto por uso e porte de drogas. A investigação foi complexa, envolvendo dezenas de oitivas, exames periciais e medidas cautelares, com confirmação da autoria por meio de impressões digitais, DNA e pegadas de sangue deixadas no quarto. Uma amiga de Rubens relatou que esteve com ele em uma festa no Guará na noite anterior, e que ele saiu para “dar uma volta” no Polo de Modas, no Guará II. Pedro confessou o crime durante o depoimento aos policiais, e o caso é qualificado por motivo torpe e meio cruel.
O julgamento marca o desfecho de um caso que mobilizou a polícia por anos, destacando avanços tecnológicos que permitiram a identificação do suspeito. Rubens, natural de Fortaleza e morador de Brasília desde a adolescência, trabalhava como revisor de texto no Correio Braziliense. A prisão foi divulgada em 2 de abril de 2025, após o trabalho integrado do Instituto de Identificação e do Instituto de Pesquisa de DNA forense.