Quase um ano após a morte de Raquel França de Andrade, de 24 anos, no Hospital São Vicente de Paulo, em Taguatinga, no Distrito Federal, a família ainda aguarda explicações sobre o ocorrido. A jovem, que estava internada, passou horas amarrada, sofreu uma convulsão e faleceu no dia de Natal de 2023. De acordo com relatos, ela vomitou, broncoaspirou e não resistiu, apesar dos esforços da equipe médica e da chamada ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) instaurou uma investigação interna na Corregedoria para apurar possíveis irregularidades, mas o processo segue em andamento sem respostas oficiais à família. O irmão de Raquel, o eletricista Iago Feitosa Pereira de Sousa, de 26 anos, descreveu o episódio como um trauma profundo, destacando as marcas de amarração no corpo da irmã como indício de brutalidade e questionando a falta de monitoramento constante.
Iago relatou que recebeu uma ligação do hospital enquanto cuidava da moto em casa e, ao chegar, encontrou a irmã em um saco, ainda quente, com líquido na boca. Ele criticou o fato de Raquel ter sido deixada sozinha e amarrada, apesar de medicada, e apontou para uma possível negligência. O caso gerou repercussão entre parlamentares, como o deputado distrital Fábio Felix (PSol), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa, que tem fiscalizado serviços de saúde mental no DF. Felix criticou a lógica manicomial, defendendo o fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) para evitar negligências e violências.
O deputado Gabriel Magno (PT) também destacou a inadequação da política de saúde mental no DF, mencionando o descumprimento de leis, a operação irregular do hospital com práticas semelhantes a manicômios e a falta de servidores e infraestrutura. Em resposta, a SES-DF informou que registrou boletim de ocorrência para investigar a causa da morte e que, internamente, solicitou apuração de responsabilidades. Até o momento, nenhum profissional foi afastado. A pasta afirmou que implementou mudanças no hospital, como trocas na gestão, novos protocolos, melhorias em processos de admissão e alta, e visitas diárias de familiares à ala de enfermaria para maior supervisão e interação com a equipe.