Início Economia Orçamento de 2026 expõe dilemas fiscais e cortes em benefícios para os mais pobres
Economia

Orçamento de 2026 expõe dilemas fiscais e cortes em benefícios para os mais pobres

119

Apesar do compromisso do governo Lula com o combate à desigualdade como eixo central de seu terceiro mandato, o Orçamento de 2026 aprovado pelo Congresso Nacional traz reduções em recursos para programas sociais essenciais, gerando desconforto entre aliados e afetando diretamente a população de baixa renda. Benefícios previdenciários, que atendem cerca de 40 milhões de brasileiros, enfrentam restrições operacionais devido ao crescimento vegetativo impulsionado pelo envelhecimento populacional e pela vinculação ao salário mínimo, comprimindo o espaço fiscal. O seguro-desemprego, que beneficia anualmente cerca de 8 milhões de trabalhadores formais, teve sua projeção reduzida de R$ 63,8 bilhões para R$ 63,4 bilhões, com adiamentos em liberações de recursos em meio a uma desaceleração econômica e aumento sazonal do desemprego. A justificativa oficial do Palácio do Planalto reside na necessidade de cumprir o arcabouço fiscal aprovado em 2023, que limita o crescimento das despesas públicas, especialmente em um cenário de arrecadação abaixo do esperado e expansão de despesas obrigatórias como a Previdência.

Programas como o Pé-de-Meia e o Gás para Todos também sofreram impactos significativos. O Pé-de-Meia, iniciativa para incentivar a permanência de estudantes de baixa renda no ensino médio, atende cerca de 3,9 milhões de alunos inscritos no CadÚnico, mas viu seu orçamento reduzido de aproximadamente R$ 12 bilhões para R$ 11,4 bilhões, levando a revisões em cronogramas e valores pelo Ministério da Educação. Já o Gás para Todos, reformulação do antigo Auxílio Gás, subsidia botijões para cerca de 5 milhões de famílias, mas com recursos cortados de R$ 5,1 bilhões para R$ 4,7 bilhões, seu alcance fica aquém do potencial, agravando o custo de vida para os mais pobres. O governo argumenta que esses ajustes são um reordenamento temporário para garantir a sustentabilidade das políticas sociais, sem abandonar o compromisso social, embora reconheça que a expansão plena depende de recuperação fiscal futura.

O relator do Orçamento, deputado Isnaldo Bulhões (MDB-AL), defendeu as alterações como uma construção realista do relatório, alinhada às regras fiscais, priorizando áreas estratégicas como infraestrutura rodoviária. Ele destacou um superávit projetado de R$ 34,5 bilhões e R$ 61 bilhões em emendas parlamentares, em ano eleitoral, e negou que as reduções comprometam a execução orçamentária. Nos bastidores, a equipe econômica do ministro Fernando Haddad sustenta que o equilíbrio fiscal é essencial para a manutenção de programas no médio prazo, conciliando responsabilidade e prioridades sociais, mesmo com efeitos imediatos sobre dependentes desses benefícios. O Bolsa Família, por sua vez, permaneceu inalterado com R$ 159,5 bilhões alocados.

Conteúdo relacionado

Fundo de investimento negocia aquisição de ativos do BRB por R$ 15 bilhões

Um fundo de investimento não identificado está negociando a aquisição de parte...

Câmara do DF aprova lei de reinserção de idosos no trabalho, mas críticos apontam atraso

Em um cenário onde idosos enfrentam crescentes barreiras no mercado de trabalho,...

Após sete anos de atraso, CAS aprova isenção de taxas para mulheres vulneráveis em concursos

Em uma decisão que destaca as persistentes barreiras financeiras enfrentadas por mulheres...

Seec-DF apreende R$ 7,38 milhões em mercadorias irregulares na Operação Páscoa 2026

Seec-DF apreende R$ 7,38 milhões em mercadorias irregulares na Operação Páscoa 2026,...