Entre 2015 e o primeiro semestre de 2026, 248 mulheres foram vítimas de feminicídio no Distrito Federal, deixando 492 órfãos. Os casos de Rozane Ribeiro, assassinada em 12 de dezembro de 2022, e Vanessa Lopes, morta em 3 de outubro de 2022, ilustram o impacto da violência doméstica na região, especialmente em áreas como Ceilândia. Autoridades e familiares destacam que esses crimes representam o ápice de padrões de agressão anteriores, com consequências psicológicas, financeiras e sociais duradouras para os sobreviventes.
Histórias de vítimas e sobreviventes
Robertha Ribeiro, filha de Rozane, descreve a rotina após o crime: “Não tem como você ter uma rotina. Minha rotina é chorar de manhã, tentar parar de chorar à tarde e chorar de noite. Essa tem sido minha rotina há cerca de 4 anos”. Ela também relata o momento do crime: “Quando eu cheguei, a minha mãe já estava deitada no chão. O Samu ainda não tinha chegado. Ele demorou bastante para chegar. E a polícia estava lá também”. Arthur Leandro, filho de Vanessa Lopes, aponta comportamentos prévios do agressor, como quebrar o celular da mãe, e critica a pena de 28 anos aplicada: “Ele pegou 28 anos [de cadeia], que para mim ainda é pouco. Porque ele tirou a vida da minha mãe”.
Desafios no enfrentamento da violência
O delegado Marcelo Zago explica que o feminicídio difere de homicídios comuns por surgir de um histórico de violência doméstica: “Geralmente, o feminicídio é o ápice de uma história de violência. E o padrão do feminicídio é completamente diferente do padrão do homicídio”. Familiares como Mariele Silva e Inara Gabrielly enfrentam dificuldades para retomar a vida, com apoio limitado de terapia e assistência social. Robertha resume a perda: “Mãe é colo. Quando dá tudo errado na sua vida, você consegue voltar para o colo da sua mãe. Quando tiram esse colo de você, você se sente sozinho no mundo”.