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Médica alerta para obstáculos políticos que impedem eliminação do câncer de colo de útero no Brasil

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Unidade básica de saúde pública no Brasil para prevenção do câncer de colo de útero
Unidade básica de saúde pública no Brasil para prevenção do câncer de colo de útero

No programa CB Saúde, exibido na quinta-feira, 10 de setembro de 2026, a médica Angélica Nogueira destacou os obstáculos políticos que impedem a eliminação do câncer de colo de útero no Brasil. A diretora de Planejamento do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos e presidente de honra da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica respondeu a perguntas das jornalistas Carmen Souza e Sibele Negromonte sobre incidência da doença, cobertura vacinal e avanços no tratamento. A conversa ocorreu em parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília e chamou atenção para os 46 diagnósticos e 19 óbitos diários registrados no país.

Desafios políticos e baixa adesão aos exames

O principal entrave apontado pela especialista é a falta de adesão aos exames preventivos e ao rastreio. Enquanto países como o Reino Unido e a Austrália alcançaram alta cobertura do Papanicolau há décadas, o Brasil ainda enfrenta dificuldades de acesso e conscientização. Nogueira enfatizou que a doença pode ser eliminada com as ferramentas disponíveis, desde que cheguem à população de forma adequada.

O problema de o Brasil ter taxas tão altas é a não adesão aos exames de prevenção e rastreio. Enquanto o mundo adotou o Papanicolau com alta cobertura há cinco décadas, o Brasil não. E, com as novas tecnologias, como a vacinação e a chegada do HPV DNA, é fundamental que as mulheres façam uma adesão adequada, pois é uma doença que podemos eliminar.

Angélica Nogueira

Vacinação contra o HPV e estratégia escolar

A vacinação entre 9 e 14 anos foi defendida como medida prioritária, pois ocorre antes da exposição ao vírus e aproveita a alta produção de anticorpos. A especialista observou que a retirada da imunização das escolas em 2014 provocou queda na cobertura, que chegou a mais de 90% no início do programa. Países que mantêm a aplicação dentro das escolas registram índices de eliminação da doença.

A vacinação tem de ser prioridade absoluta. Uma dose de vacina pode eliminar o câncer de colo de útero.

Angélica Nogueira

O tempo entre a infecção pelo HPV e o desenvolvimento de câncer varia de 10 a 15 anos, o que reforça a importância do diagnóstico precoce. Quando detectado em estágio inicial, o índice de cura chega a 90%. No entanto, entre 60% e 70% das pacientes brasileiras chegam ao tratamento com a doença localmente avançada. A entrevista reforçou que o desafio atual é político e não científico.

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