Denúncias abalam reputação do Noma
Ex-funcionários do renomado restaurante Noma, em Copenhague, na Dinamarca, relataram abusos, agressões físicas, humilhações e jornadas exaustivas em uma reportagem recente do The New York Times. As acusações, que envolvem o chef René Redzepi, levaram dois patrocinadores a desistirem de um evento pop-up planejado para Los Angeles, nos Estados Unidos, em março de 2026. A publicação, divulgada em 11 de março de 2026, ouviu 35 ex-trabalhadores que atuaram no local entre 2009 e 2017.
Relatos de abusos na cozinha
Os depoimentos descrevem um ambiente de trabalho hostil, com agressões envolvendo utensílios de cozinha, constrangimentos públicos e turnos de até 16 horas diárias. Estagiários, muitas vezes mal remunerados ou sem pagamento, eram explorados para manter os padrões de excelência do restaurante, que ostenta três estrelas Michelin. A cultura de abusos visava sustentar a reputação do Noma como um dos melhores do mundo.
Ele batia, cutucava e empurrava funcionários por erros pequenos e às vezes chegava a socar alguém quando perdia a paciência.
Essa citação de um ex-trabalhador ilustra a intensidade das alegações contra Redzepi.
Retirada de patrocinadores
A American Express, por meio de sua plataforma Resy, e a Blackbird, fundada por Ben Leventhal, anunciaram a retirada de apoio ao pop-up em Los Angeles. Eles reembolsaram ingressos e doaram recursos para organizações de defesa de trabalhadores. A decisão reflete preocupações com as práticas passadas no Noma, mesmo após admissões de Redzepi sobre condutas inaceitáveis.
As práticas passadas de René, segundo ele próprio admitiu, eram inaceitáveis e abomináveis.
Não podemos simplesmente nos apoiar no tempo decorrido e em alegações de reabilitação quando essas coisas ressurgem.
Essas declarações de Ben Leventhal destacam o impacto das denúncias no setor.
Consequências para o setor gastronômico
As revelações expõem desafios persistentes na indústria da alta gastronomia, onde a busca pela perfeição pode levar a ambientes tóxicos. Embora os abusos tenham ocorrido entre 2009 e 2017, a reportagem do The New York Times reacende debates sobre ética no trabalho. O pop-up em Los Angeles, prestes a iniciar, enfrenta agora incertezas, enquanto o Noma lida com as repercussões de sua cultura interna.