A Câmara Legislativa do Distrito Federal realizou na terça-feira, 27, uma sessão solene para homenagear a luta pela inclusão de pessoas com deficiência visual, entregando pela primeira vez em 35 anos de história uma moção de louvor escrita em braille. A iniciativa, embora simbólica, expõe a lentidão histórica das instituições públicas em adotar medidas concretas de acessibilidade, deixando claro que avanços reais ainda demoram a chegar para quem precisa. A professora e ativista Lucinéia de Oliveira Santos foi a homenageada, reconhecida por mais de duas décadas de atuação na defesa dos direitos desse público, mas o evento também revelou a distância entre gestos pontuais e mudanças estruturais necessárias.
Reconhecimento marcado por atrasos
Deputada Dayse Amarilio (PT), autora da homenagem, destacou a presença de representantes de entidades, familiares e amigos da ativista durante a sessão. A moção foi lida tanto na versão impressa quanto em braille, um detalhe que reforça o caráter inédito da entrega. No entanto, o fato de essa ser a primeira moção nesse formato após tanto tempo evidencia como a CLDF demorou para incorporar práticas mínimas de inclusão em seu cotidiano.
É um marco histórico para a Casa. Entregar uma moção em braille simboliza o compromisso da CLDF com a acessibilidade e a inclusão.
Dayse Amarilio
Desafios que persistem além do símbolo
Lucinéia de Oliveira Santos, ao receber a homenagem, ressaltou que ainda há muito a ser feito em termos de acessibilidade em órgãos públicos e outros espaços. A ativista alertou para a necessidade de transformar gestos isolados em políticas efetivas, evitando que a inclusão permaneça apenas no papel. Representantes de entidades ligadas à causa reforçaram que o evento, embora positivo, não substitui investimentos reais em infraestrutura e capacitação.
Ainda há muito a ser feito. Precisamos de mais acessibilidade em todos os espaços, inclusive nos órgãos públicos.
Lucinéia de Oliveira Santos
Dayse Amarilio completou que a moção representa um passo importante, porém insuficiente sem o acompanhamento de medidas concretas. O tom geral da sessão deixou evidente o contraste entre o reconhecimento individual e a realidade de negligência acumulada ao longo de décadas.
Essa moção representa um passo importante, mas precisamos transformar símbolos em políticas públicas efetivas.
Dayse Amarilio