A Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou na terça-feira um projeto de lei que institui o piso salarial para tradutores e intérpretes de Libras, fixando o valor em dois salários mínimos por jornada de apenas 20 horas semanais. A iniciativa, de autoria do deputado Iolando, do MDB, ainda depende de sanção do governador Ibaneis Rocha, do mesmo partido, e chega em momento de insatisfação entre profissionais que consideram a remuneração insuficiente para cobrir as demandas diárias da categoria.
Tramitação marcada por burocracia
O texto passou por pareceres favoráveis nas comissões de Constituição e Justiça, Assuntos Sociais e Orçamento antes de ser aprovado em plenário. Apesar da tramitação relativamente rápida nas últimas semanas, a aprovação revela um processo longo e cheio de etapas que adiaram a valorização desses profissionais por anos. Muitos intérpretes seguem trabalhando sem proteção salarial clara, o que compromete a qualidade do serviço prestado às pessoas com deficiência auditiva no Distrito Federal.
Valorização limitada e inclusão incompleta
A justificativa oficial aponta para a necessidade de valorizar os profissionais de Libras e promover inclusão social, mas o piso estabelecido levanta dúvidas sobre seu real alcance. Com jornadas restritas e remuneração básica, a medida pode não atrair novos talentos nem garantir estabilidade para quem já atua na área. Enquanto o governador decide pela sanção, a categoria permanece em alerta sobre possíveis ajustes que poderiam tornar o benefício ainda mais restrito.
Essa é uma conquista histórica para os profissionais de Libras, que desempenham um papel fundamental na comunicação e na inclusão social
Deputado Iolando (MDB)
Profissionais e associações aguardam os próximos movimentos do Palácio do Buriti com ceticismo, temendo que a aprovação sirva mais como propaganda política do que como solução efetiva para os desafios enfrentados diariamente por tradutores e intérpretes no Distrito Federal.